» Papel de gigolô em ‘Gabriela’ conquista Emílio Orciollo Netto

Papel de gigolô em ‘Gabriela’ conquista Emílio Orciollo Netto

Papel de gigolô em ‘Gabriela’ conquista Emílio Orciollo Netto

Emílio Orciollo Netto nunca esteve tão focado em se destacar na televisão. Na pele alva do príncipe Sandra, um impostor gigolô e trambiqueiro de Gabriela, o ator avalia a diversidade de seus tipos na telinha. A começar pelo personagem atual, que entrou na trama adaptada por Walcyr Carrasco há pouco mais de uma semana.

O personagem excêntrico, que causa estranheza na pequena Ilhéus da década de 1920, chega à cidade acompanhado de sua amante Anabela, vivida por Bruna Linzmeyer, e pelo amigo Mundinho Falcão (Mateus Solano). O trio leva o progresso e a desordem para a cidade baiana na história de Jorge Amado. Com um figurino à la dândi, uma barba volumosa e hábitos obscuros, príncipe Sandra não é um nobre, mas um exótico trambiqueiro que fica na história até por volta do capítulo 50. Até lá, os coronéis da cidade são lesados com seus golpes até ele enfim ser expulso da cidade.

“O barato dele é aplicar golpes. Ele vem de fora com um olhar forasteiro. É muito misterioso, não se sabe se é rico, mas tem grandes traços de vilania”, detalha Emílio, que volta a trabalhar com Walcyr após seu maior sucesso na carreira em uma trama do autor, o destrambelhado e histriônico Crispim, de Alma Gêmea.

Confira o que o ator tem a dizer sobre o papel a seguir:

TV Press – Como foi a composição de um personagem de visual dândi em uma Ilhéus da década de 1920?
Emílio Orciollo Netto – (risos) Tem sido curioso. O figurino dele é impecável. Ele usa óculinhos e um sapato grandão. Parece o drácula vivido pelo Gary Oldman em Drácula de Bram Stoker (dirigido por Francis Ford Coppola). Mas minha maior referência é o Harvey Keitel (que interpretou o Sport) no Taxi Driver (de Martin Scorsese). A relação dele com a personagem da Jodie Foster, um cafetão que cuida da mulher que trabalha para ele, é especial. Eles se amam, mas têm uma relação de amor meio dúbia. O legal é que estamos em uma história que se passa em 1925. Tenho me inspirado muito no cinema seguindo a máxima “menos é mais”. Tirar a caricatura e passar leveza através do olhar, a safadeza, o mau caratismo. É um personagem que talvez esteja me preparando para a possibilidade de fazer um vilão, que é o que mais quero na TV.

TV Press – Como se desenvolve a história dele ao longo da trama?
Emílio – Ele, a Anabela e o Mundinho Falcão são de um núcleo que vai dar o que falar. O Mundinho chegou para trazer o progresso para Ilhéus. O Príncipe Sandra e a Anabela vão trazer confusões. Ele vai querer se dar bem em cima dos coronéis. E vai aplicar o golpe do suadouro (roubo de uma vítima por uma prostituta e seus comparsas). Mas o Sandra é um gigolô de uma mulher só. Ele consegue seduzir os coronéis e, quando está com eles, o Príncipe Sandra entra em ação para roubá-los.

TV Press – A maior parte dos seus personagens na TV é de época e você costuma fazer tipos bem variados. A que você atribui essa diversidade de papéis antigos?
Emílio – Acho que tenho cara de homem antigo. Meus trabalhos na Globo acabam sendo de época. Quero cada vez mais personagens anti-heróis, que têm vontades, que não sejam superficiais e que me propiciem um mergulho profundo. Depois de tipos variados, agora quero fazer o mocinho e o vilão. Quero ir para o convencional. No filme E Aí, Comeu? (que estreou em nos cinemas há três semanas) faço o Afonsinho, um cara contemporâneo e galã. Ele é um escritor frustrado que só se envolve com prostituta e mulher casada. Um fanfarrão rico, que adora a noite. Sei que agora estou preparado para pegar um protagonista ou um antagonista vilão na TV. Estou em um momento bem maduro da minha profissão e o cinema já está começando a me dar protagonistas. Sou um cara absolutamente eclético. Nós, atores, somos instrumentos para contar histórias. Me coloco nesse papel como um instrumento musical. Para às vezes tocar rock, outras vezes sertanejo, MPB. Só depende da história.

TV Press – Você sempre fez personagens dramáticos até o Crispim, seu primeiro papel de destaque na TV, sua estreia na comédia e sua primeira trama do Walcyr Carrasco. Como tem sido essa retomada com o autor em Gabriela?
Emílio – Por incrível que pareça, só fiz esses dois trabalhos com o Walcyr até hoje. O maior sucesso da minha vida foi Alma Gêmea. Até hoje todo mundo fala o bordão “Miiiirna!” do Crispim. Tenho uma coisa boa porque faço novelas com todos os diretores e autores. Não sou ator de turma, de panelinha. Trabalho com todos, sem preferências. E naquela novela viram que eu podia fazer comédia. Ali mudou tudo. Assinei contrato longo com a Globo e o Crispim foi o personagem mais popular que eu já tive. Fora isso, a novela deu 56 de média (de audiência) no último capítulo no horário das 18h. Hoje em dia isso não acontece nem em novela das 20h.

TV Press – São 23 anos de carreira e 16 anos de televisão desde sua estreia, em O Rei do Gado. Que balanço você faz dessa trajetória?
Emílio – Já fiz novela das oito, já fiquei desempregado, já fiz novela das seis, minissérie, um pouquinho de tudo na TV. O fracasso e o sucesso são impostores. Você não pode acreditar neles. Tem que manter uma conduta para não bater a cabeça na parede e sofrer. Tem de alcançar um meio termo com a idade, com a maturidade dos trabalhos que vão calejando você. Estou com 38 anos e com muito gás. Gosto de trabalhar. Lancei dois filmes neste ano. Além do E aí, Comeu? também estou em Paraísos Artificiais. Na TV estou com sede de personagens com uma exposição maior nas tramas. Quero papéis mais importantes. Tenho alguns anos de novelas e há algum tempo falo que quero uma oportunidade de fazer um vilão. Acho que o Príncipe Sandra é uma ponte porque ele tem uma linha de vilania. Agora é só os diretores abrirem os olhos e me chamarem.

Fonte: Terra

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