» Emilio Orciollo Netto: “Ainda sou um amante à moda antiga”

Emilio Orciollo Netto: “Ainda sou um amante à moda antiga”

Emilio Orciollo Netto: “Ainda sou um amante à moda antiga”

Diferentemente do malando Murilo, seu personagem na novela ‘Amor à Vida’, o ator acredita que o trabalho é o meio para se vencer na vida e diz que não duraria nada em um reality show. Aos 40 anos, ele vai se casar neste ano, revela que é do tipo que manda flores para a noiva, a modelo Mariana Barreto, e não vê a hora de ser pai.

Fanfarrão e disposto a se dar bem sem fazer esforço, Murilo, o personagem de Emilio Orciollo Netto em Amor à Vida, tem em comum com seu intérprete apenas o jeito jovial. Aos 40 anos, o ator se diverte com as engraçadas cenas de Murilo e Valdirene (Tatá Werneck), mas garante que acredita apenas no trabalho. “Não consigo ficar sem trabalhar, estou sempre me reinventando”, afirma ele, que acumula a atuação na novela com a turnê da peça Também Queria Te Dizer – Cartas Masculinas, e, em 2014, faz sua estreia como diretor de teatro com o espetáculo Atrás da Porta, no Rio de Janeiro.

Paulistano, filho do consultor Sergio e da dona de casa Vânia, Emilio conta que, até hoje, quase duas décadas após estrear na TV como um imigrante italiano em O Rei do Gado (1996), os pais comentam suas cenas. “Ainda me tratam como se eu tivesse 12 anos”, diverte-se. Apaixonado pela família, sonha em construir a sua. Em outubro, ficou noivo da modelo Mariana Barreto, 27, que já namorava havia três anos. O pedido de casamento foi feito ao som deDetalhes, de Roberto Carlos. Em 2014, o casal oficializa a união e Emilio quer ser pai logo. “Amo crianças e acho que é um bom momento”, diz.

EMILIO ORCIOLLO NETTO: Muitos, inclusive na minha família, só não posso dizer os nomes (risos). Murilo não é um vilão, é um fanfarrão que quer viver bem e se divertir, ganhar “dinheiro fácil”. Bem diferente de mim, que vivo para o meu trabalho e a minha família. Não consigo ficar sem trabalhar, estou sempre me reinventando. Tenho 23 anos de carreira e fiz muita coisa. Fiz sucesso, fiz fracasso.

emilio-2QUEM: Quando fez um fracasso?
EON: Já fiz teatro para três pessoas, com a peça Eu Sou Vida e Não Sou Morte, em São Paulo, na década de 1990. É uma sensação horrorosa, mas o fracasso te dá caráter, e não importa se são duas ou 200 pessoas na plateia, elas compraram entrada e saíram de casa para te ver. Você tem um compromisso. Amo minha profissão e respeito o público. Aqueles três se sentiram especiais, pois fizemos o espetáculo para eles.

QUEM: Você sempre quis ser ator?
EON: Eu fazia teatro amador em um clube, em São Paulo, mas o que me atraiu na verdade foi a minissérie Anos Dourados (1986). Fiquei apaixonado pela Malu Mader, o Felipe Camargo, Taumaturgo Ferreira. Anos mais tarde, viramos grandes amigos. A primeira vez que encontrei a Malu, gelei, tremi (risos). Eu pensava “o que posso fazer para fazer o que eles fazem?”.

QUEM: E o que você fez?
EON: Meu pai presta consultoria e me arrumou um emprego (numa loja de departamentos). Eu fazia administração na Unip, teatro na EAD. Não era muito bom funcionário e fui demitido (risos). Quando acabei administração, dei o diploma a meu pai e disse: “Serjão, agora vou cuidar da minha vida”. Fui escalado para O Rei do Gado (1996), depois para Anjo Mau (1997) e me mudei para o Rio de vez.

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QUEM: Foi difícil a adaptação à vida longe da família?
EON: Sim. Estava sozinho em um apartamento, no início de carreira, sem grana, e não queria pedir dinheiro a meu pai. Graças a Deus, fiz amigos e ficava menos sozinho, mas o bom de uma situação dessas é que você deixa de ser garoto e vira homem. Quando você vê miojo para comer, diz “está difícil, tenho que batalhar e me reinventar”. Porque, se ficar esperando as pessoas te convidarem, vai ficar sentado. Abria meu armário e fazia eco, a geladeira só tinha maçã.

QUEM: Não pensou em desistir?
EON: O mais importante é ter fé. Acredito muito no trabalho e acho que quem faz o bem colhe o bem. Nesse sentido, sou muito pragmático. Vou em frente, sei que pode demorar, mas prefiro construir um prédio com tijolos do que com areia.

QUEM: Você e Mariana estão juntos há mais de três anos. Como é o relacionamento de vocês?
EON: Acho importante ser independente e a sua parceira ser independente e, em uma relação, vocês se respeitarem acima de tudo e se apoiarem. Admiração, amor e tesão não deixam o relacionamento cair na rotina. Estamos juntos há três anos e neste ano vamos oficializar na igreja. Ficamos noivos, pedi a Mariana em casamento ouvindo Detalhes, do Roberto Carlos. Estou muito feliz, amo minha mulher. Ainda sou um amante à moda antiga, eu mando flores, acredito na família. Até hoje escuto meus pais, porque, embora eu esteja com 40, eles ainda me tratam como se eu tivesse 12 anos (risos).

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QUEM: E com quantos anos você se sente?
EON: Eu me sinto um garoto. Tenho muita vitalidade, acordo cedo e vou dormir tarde, não fico deitado na cama vendo a vida passar. No corpo, não tenho mais 18 anos, o fôlego é diferente. Mas não fumo e pratico esporte. O que acho que melhora é a ansiedade, a idade traz mais calma. Igual ao vinho tinto, você vai envelhecendo e ficando mais interessante. Acho que sou um cara muito mais legal e menos egoísta, mais aberto para o mundo e a família hoje do que há dez anos.

QUEM: Você é reconhecido pelos fãs ou assediado pelas mulheres?
EON: Em uma novela das 9, você fica mais bonito, todo mundo te reconhece. Quando acaba, volta para a real. Então, sinceramente, não. Sou um cara muito discreto, não faço questão de que as pessoas entrem na minha vida privada. Quando saio é com a minha mulher ou com os meus amigos para tomar um chope, e é isso.

QUEM: Você quer muito ser pai?
EON: Sim, amo crianças. Se for a metade do pai que meu pai é comigo, vou ser um pai legal. Ele é uma referência de vida, exemplo de homem, de conduta, de tudo. Meu pai é meu grande ídolo, é o cara. Agora eu e Mariana adotamos a Marie, uma (cadela) galgo italiana que fez 11 meses. O legal do animal é que você deixa de olhar para o próprio umbigo.

QUEM: Você já foi de olhar para o próprio umbigo?
EON: Claro! Quando você faz a primeira novela, você acha que é o centro das atenções, a última bolacha do pacote. E não é nada disso. Mas nunca me deslumbrei. Toco a vida. O sucesso é efêmero.

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QUEM: Preocupa-se com o tamanho do papel?
EON: Não, eu me interesso é pelo personagem. Sou protagonista da minha peça, fui protagonista de filme, então, uma hora pode ser que eu seja na televisão. Ou não. Novela é uma obra aberta, você tem que confiar no seu autor, na equipe. Uma hora, vão escrever para você. No caso do Murilo, é agora a vez de ele brilhar e tenho o maior orgulho de estar fazendo essa novela. Não sou aquele ator que não faz teste. O teste não é pessoal, é business (negócio). Às vezes, você não se enquadra, e o diretor tem que ver o que funciona melhor.

QUEM: O que você faz nas horas vagas?
EON: Estou completamente viciado em séries de TV como Breaking Bad, The Shield, Game of Thrones, Boardwalk Empire, Sessão de Terapia. Falo que vou ver um episódio, mas ninguém vê um só, quando vejo já foram cinco. Depois, eu e a Mari vamos fazer DR da série.

QUEM: E o que acha de reality shows, como o Big Brother Brasil, em que o Murilo e a Valdirene fizeram de tudo para entrar?
EON: São programas que têm seu espaço, sempre tem gente querendo ver. Vi a primeira edição, com o Kleber Bambam, era uma novidade. Achava o maior barato. Sou um voyeur como todos somos e adoro ver, é o comportamento humano. Mas eu, Emilio, se fosse para o Big Brother, iria durar três dias. Não iria aguentar, pediria para sair.

Fonte: QUEM

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